Thursday, 8 March 2018

Periferia



Sou pirofóbica e termofóbica.
Tenho um medo irracional de fogo, e de coisas quentes.

Mas recentemente comecei a ganhar alguma facilidade em manusear isqueiros. Ainda não sou capaz de cozinhar fritos, mas já não me assusto quando as gotas de azeite quente do refogado me saltam para as mãos e os braços. Aprendi a reagir depressa para proteger a minha pele.

Tenho dificuldades em gastar tempo nas coisas de que gosto sem me sentir culpada. Umas das causas da minha ansiedade é achar que estou a desperdiçar esse tempo que poderia ser aplicado a desenvolver o meu potencial para skills que gostava de adquirir.

Mas recentemente comecei a aprender que o meu tempo é meu. Sabeis do que falo, aquele tempo que não nos é roubado pelo nosso patrão, aquele bocadinho que podemos controlar. Aquele bocadinho que temos quando não estamos a pensar no que é que quem depende de nós vai fazer se não fizermos alguma coisa para ajudar. Aquele bocadinho sentada à janela a olhar para o rio depois de chegar a casa, a respirar as gotas de água salobra que o vento traz de tão longe.

Tenho ansiedade quase constantemente. Tenho feridas que não fecham há meses e nem sempre tenho material esterilizado para as tratar. Metade das vezes lavo a mesma ligadura, envolvo as feridas nela, e mesmo que vá a coxear não deixo de sorrir. Não sorrir é perigoso. Pode levar a perguntas. Sabeis, como quando estais a morrer de dores menstruais mas no vosso horário tendes de ir trabalhar na mesma e toda a gente trata essa dor como se fosse equivalente a um ligeiro desconforto.

Mas ultimamente aprendi a ser amiga dessa ansiedade. Digo-lhe intimamente "sei que és minha amiga e estás preocupada comigo, mas isto não pode ser sempre assim; temos de crescer para fora da nossa zona de conforto; sei que me agrides porque não queres que eu caia nas mesmas armadilhas que te acordaram, mas temos de fazer um acordo de entendimento mútuo. Tu avisas-me, e eu tomo precauções. Não precisamos de fazer guerra dentro do meu cérebro". Descobri coisas na ciência e na natureza que ajudam a limpar e sarar essas feridas mesmo quando não tenho o material apropriado para o fazer. Descobri métodos alternativos aos que estão fora do meu orçamento. Descobri que a minha saliva ajuda. Descobri que a minha ansiedade ajuda-me a perceber qual foi o antigénio que me invadiu as feridas. Descobri que estou no processo de investigação de uma vacina.

Tenho um carinho pela ciência e pelos métodos da racionalidade. Gosto de efectuar auto-avaliações para perceber se ainda estou à procura da verdade ou se me desviei e caí para fora desse caminho seduzida pelas lanternas mágicas do meu ego que aparecem ao longe, nas árvores da floresta que estamos todos a atravessar. E vou abaixo quando me é apontado que a minha visão da verdade não é neutra.

Mas recentemente percebi que "neutralidade" não é equivalente à verdade. Descobri de que outras fontes o conhecimento pode vir. Descobri que o caminho marcado a ferros e alcatrão ajuda muita gente mas não é o único caminho. Descobri os trilhos de terra, batida por pés que são vistos como pertencentes a humanos com menos valor pelos construtores do caminho de alcatrão. E descobri uma riqueza nessa floresta a que só esses trilhos que aparentam não ir dar a lado nenhum me conseguem levar. Descobri feitiços que não nos ensinam na universidade. Feitiços que ajudam a floresta a crescer. Feitiços que me fizeram perceber que a floresta não é um inimigo para ser desbravado com caminhos de betão, mas uma área de exploração em que esta pode ser feita com os pés descalços em vez de retro-escavadoras.

Estive numa relação que me fez acreditar que eu nunca estava certa. Estive numa relação que me tirou o chão debaixo dos pés e me roubou a minha percepção da realidade. Estive numa relação que me fodeu o cérebro porque eu dizia coisas que nunca eram suficientes, porque o meu consentimento e bem estar emocional pareciam uma meta atingir e a maratona nunca acabava. De cada vez que me aproximava da meta, ele dizia ou fazia alguma coisa que me faziam perceber que claramente ainda não tinha corrido o suficiente. E nessa relação eu corria tanto que ficava cansada a ponto de morrer de exaustão e desidratação, mas como ele parecia continuar a correr incansavelmente, sempre tão perfeito, então eu tinha de conseguir aguentar o mesmo passo de corrida.

Mas percebi que ele não corria - ele movia o cenário à volta dele para dar a ilusão de que estava a correr. E percebi também que mesmo que eu não estivesse presa numa ilusão eu não precisava de correr à velocidade dele. Percebi qual era o passo de jogging que se adequava a mim.

Antes queimavam as nossas irmãs porque eram acusadas de bruxas. Antes costumavam gozar comigo por causa do meu cabelo. Diziam que eu parecia uma bruxa. Costumava chorar quando me diziam isso. Costumava odiar o meu corpo porque o médico dizia que independentemente de ter um ritmo cardíaco de desportista, níveis de colesterol mais inofensivos do que um gatinho recém-nascido e uma fisiologia saudável tinha de perder peso na mesma. Costumava chorar nos provadores das lojas porque as calças não serviam. Costumava deixar que usassem coisas que eu tinha comigo desde que nasci como arma para me magoarem e controlarem.

Mas depois percebi que a minha pirofobia e o meu cabelo não eram assim tão diferentes. Percebi que não preciso das calças das lojas, e percebi que quero perder peso porque quero vestir-me de cabelo o quanto antes e o cabelo cresce mais devagar do que eu consigo perder peso. Percebi que o meu cabelo me incrimina quanto à minha bruxaria e que isso me deixa feliz. Percebi que assim as pessoas quando olham para as minhas feridas, o meu corpo, os meus feitiços e o meu cabelo e pensam nisso vão estar certas quando virem uma bruxa, mesmo que não percebam porquê.

Tuesday, 12 January 2016

Books I want to read in 2016!

These are the books I really want to read this year - not necessarily in this order, except for Voyage of the Basilisk, which I'll hopefully start by the end of this week as soon as I finish the Grimm's Fairytales, and it doesn't mean that I think I can read all of them. But that would definitely be nice 

Also, I find it so frustrating that Goodreads doesn't have a re-read feature, UGH!
You can find me here: https://www.goodreads.com/user/show/4280779-nyanko-yue


A Memoir by Lady Trent by Marie Brennan (#3 & #4)




Harry Potter by J.K. Rowling (#1 to #7) - over the years, I've read these several times in Portuguese, but never in English






The Casual Vacancy by J.K. Rowling




Cormoran Strike by Robert Galbraith (#1 & #2)




Favole #3: Frozen Light by Victoria Francés




Sevenwaters by Juliet Marillier (#1 to #6)





The Stone Dance of the Chameleon by Ricardo Pinto (#1 to #3)




Sunstone #3 by Stjepan Šejić




The New Topping Book by Dossie Easton and Janet Hardy




H.P. Lovecraft Collected Stories by Wordsworth Editions & Necronomicon





She Walks In Shadows by several female authors - it's a tribute to Lovecraft while at the same time it rebels by putting strong female characters fighting the horrors Lovecraft showed us.




The Sea of Trolls (#1 to #3) by Nancy Farmer - I read the first volume in Portuguese many years ago, and ever since I never forgot this series and want to know how it ends.




The Unfinished Tales of Númenor and Middle-Earth & The Adventures of Tom Bombadil by J.R.R. Tolkien




Biology as Ideology: The Doctrine of DNA by Richard C. Lewontin




Molly Moon (#1 to #6) by Georgia Byng - just like the Sea of Trolls, I read the first book many years ago and I liked the story so much, although I didn't have the sequels, that now I want to finish the series.





Stranger in a Strange Land by Robert A. Heinlein




Avalon (#1 to #7) by Marion Zimmer Bradley and Diana L. Paxson




Monday, 11 January 2016

I'm on a reading spree! + Books I've read in 2015

After spending almost 2 years without reading a single book (between 2012 and 2014), I finally managed to snap out of it and started reading the first volume of The Fionavar Tapestry: The Summer Tree. It worked wonderfully to put an end to that reading slump. Since then, I've been on a reading spree, and I don't remember being this excited about reading since I read Harry Potter - and that's saying a lot. So I thought I'd share some of that and inspire you to start reading again/more/keep reading. Because books exist to be loved 

Disclaimer: whenever there are series starting in the middle, in the list below, it's because I had read the previous volumes on or before 2012, except for the Tapestry of Fionavar.

1. A Dance with Dragons (A Song of Ice and Fire #5) by George R.R. Martin




2. Vampire Knight (#10 to #19) by Matsuri Hino




3. The Fionavar Tapestry (#2 to #3) by Guy Gavriel Kay:
- The Wandering Fire (#2)
- The Darkest Road (#3)




4. A Memoir by Lady Trent (#1 to #2) by Marie Brennan :
- A Natural History of Dragons (#1)
- The Tropic of Serpents (#2)




5. Death Note (#1 to #12 + extras) by Tsugumi Oba




6. Cardcaptor Sakura (#1 to #12) by CLAMP




7. Code Name Wa Sailor V! by Naoko Takeuchi (prelude to Sailor Moon)




8. Bishoujo Senshi Sailor Moon (#6 to #12 + short stories (#1 to #2) + Parallel Sailor Moon) by Naoko Takeuchi




9. The Life and Times of Scrooge McDuck (#1 to #2) by Don Rosa




10. The Hogwarts Library Collection by J.K. Rowling:
- Fantastic Beasts and Where to Find Them by Newt Scamander
- Quidditch Through The Ages by Kennilworthy Whisp
- The Tales of Beedle the Bard by J.K. Rowling




11. Dance in the Vampire Bund (#1 to #14 + Sledge Hammer (#1 to #3) + Scarlet Order (#1 to #2)) by Nozomu Tamaki




12. Pena que Sangra by Daniel dos Santos Cardoso




13. Black Cat (#1 to #20) by Kentaro Yabuki




14. Sunstone (#1 to #3) by Stjepan Šejić




15. The New Bottoming Book by Dossie Easton and Janet W. Hardy




16. Shingeki no Kyoujin (#1 to #18 + Kuinaki Sentaku (#1 to #2) + Before the Fall (#1 to #5)) by Hajime Isayama




17. The Whisperer in Darkness (H.P. Lovecraft Collected Short Stories series #1) by H.P. Lovecraft:




18. The Open: Man and Animal by Giorgio Agamben




19. Foucault for Beginners by Lydia Alix Fillingham




20. Honeymoon Salad (#0 to #5) by Hikaru Ninomiya




21. Only Ever Yours by Louise O'Neill




22. Asking For It by Louise O'Neill




23. Prohibited Book (#1 to #3) by Luis Royo




24. Favole (#1 to #2) by Victoria Francés:
- Stone Tears
- Set Me Free




25. Poesia de Florbela Espanca:
- Livro de Mágoa
- Livro de Soror Saudade
- Charneca em Flor
- Sonetos





26. Como Escavar Um Abismo by Fernando Ribeiro




27. The Sleeper and the Spindle by Neil Gaiman




28. Naruto (#1 to #5) by Masashi Kishimoto



I hope you found some of these appealing, if you haven't read them yet. This list contains a mix of different genres, from non-fiction to high fantasy.

What books did you read in 2015? Let me know in the comments!

In case you're interested in knowing more about them, they can all be found on Goodreads, and I can also describe a particular book (spoiler free!) if asked in the comments.